Liturgia
Embora tenha uma longa história entre os cristãos, a confissão nem sempre tem sido bem compreendida. É difícil verbalizar, trocar as coisas por palavras, e é isso que torna tão difícil - mas também tão libertador - o sacramento da reconciliação. Todos evitamos admitir e assumir as nossas culpas; todos disfarçamos arranjando todo o tipo de defesas para não termos de encarar de frente a nossa própria maldade, a nossa cobardia, a nossa crueldade. Quando nos confessamos, não é um aconselhamento ou uma psicoterapia que procuramos, não é de paninhos quentes ou de um manto de esquecimento sobre o passado que precisamos. Sempre que nos ficamos só pelos pensamentos, tendemos a ser imprecisos e facilmente nos descartamos, arranjando desculpas vagas para sensações vagas. Na confissão tentamos enfrentar a nossa maldade tal como os outros a possam ver ou sentir, verbalizamos as nossas acções, contamo-las a um padre muitas vezes anónimo. «Foi isto que eu fiz, foi mal feito, e estou arrependido(a)». Na nossa vida espiritual, não há acto mais pessoal do que este. Todos os outros sacramentos podem ser de alguma forma desvirtuados e transformados em rituais vazios. A confissão, quando levada a sério, é de uma exigência pessoal extrema - e traz-nos um conforto intenso e perceptível.
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